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Paula Rego

Maria Paula Figueiroa Rego (1935-2022) foi uma das mais notáveis artistas plásticas portuguesas, alcançando projeção internacional através de uma obra profundamente figurativa, emocional e crítica. Embora tenha nascido em Lisboa, foi em Londres que encontrou o seu espaço artístico, após estudar na Slade School of Fine Arts, e onde construiu a maior parte da sua carreira.

Desde cedo, a sua arte refletiu narrativas fortes e perturbadoras, muitas vezes inspiradas em contos populares, fábulas, política e temas sociais. Criada num ambiente marcado pela cultura literária e pelo estímulo do pai republicano e anglófilo, Paula Rego foi incentivada a procurar o seu caminho artístico fora de Portugal, um país que, na altura, não oferecia as condições necessárias para o sucesso de uma mulher nas artes.

Nos anos 50, em Londres, conheceu o pintor Victor Willing, com quem casou e teve três filhos. A vida do casal dividiu-se entre Inglaterra e Portugal, principalmente na Ericeira, onde viveram durante vários anos. O reconhecimento artístico de Paula Rego cresceu progressivamente, tendo sido uma das primeiras artistas portuguesas a receber uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian, em 1962.

Inicialmente explorou técnicas como pastel e colagem, mas ao longo dos anos a sua obra evoluiu para um estilo singular, caracterizado por composições surreais, grotescas e de grande impacto visual. Muitas das suas pinturas retratam mulheres e meninas em papéis de poder e confronto, frequentemente substituindo seres humanos por animais, um recurso simbólico recorrente no seu trabalho.

A sua arte também refletiu as suas convicções feministas, destacando temas como o abuso, a opressão e a maternidade. Um dos exemplos mais marcantes dessa postura foi a série “Aborto” (1998), uma denúncia visual poderosa a favor da despenalização da interrupção voluntária da gravidez, tornando-se um dos seus trabalhos mais emblemáticos.

Paula Rego recebeu inúmeras distinções, sendo a primeira mulher a ter uma exposição na National Gallery de Londres (1990) e a ser nomeada Dame Commander of the Order of the British Empire (DBE) pelo governo britânico (2010). Em Portugal, o seu legado artístico ficou eternizado na Casa das Histórias Paula Rego, em Cascais, inaugurada em 2009 e projetada por Eduardo Souto Moura.

Faleceu em 2022, deixando um acervo vasto e uma obra que continua a provocar, emocionar e desafiar convenções.

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