Alexandre Farto, mais conhecido como Vhils, nasceu em Lisboa em 1987 e cresceu no Seixal, na margem sul do Tejo. Desde cedo desenvolveu uma forte ligação com a arte urbana, iniciando-se no graffiti aos 10 anos e intensificando a sua prática a partir dos 13. O fascínio pelo meio levou-o a pintar ilegalmente em paredes e comboios, tanto em Portugal como por várias cidades europeias, explorando o potencial da rua como um espaço de expressão e comunicação.
Com o tempo, começou a afastar-se da estética tradicional do graffiti, experimentando novas técnicas. Inicialmente, usou stencils e mais tarde desenvolveu um processo inovador de escavação e remoção de camadas de superfícies urbanas, transformando muros degradados em autênticas obras de arte. Foi este método que o destacou no panorama internacional, levando-o a expor no Cans Festival, evento organizado por Banksy, e a colaborar com galerias prestigiadas como a Lazarides Gallery (Londres) e a Studio Cromie (Itália).
A sua abordagem artística baseia-se no conceito de destruição criativa, refletindo sobre o impacto do crescimento urbano e a sobreposição de camadas culturais e históricas nas cidades. Para dar forma à sua visão, utiliza ferramentas como martelos pneumáticos, explosivos, lixívia e ácidos corrosivos, além dos tradicionais sprays e tintas. As suas obras frequentemente representam rostos anónimos, conferindo visibilidade a indivíduos comuns no tecido urbano.
Atualmente, Vhils tem intervenções artísticas espalhadas por diversas cidades do mundo, incluindo Londres, Moscovo, Nova Iorque, Los Angeles, Bogotá e Medellín, além de vários pontos em Portugal. O seu trabalho já foi exibido em instituições de renome como o MAAT (Lisboa), Palais de Tokyo (Paris), Barbican Centre (Londres) e o Museum of Contemporary Art San Diego. Em 2010, lançou o livro Vhils/Alexandre Farto Selected Works 2005-2010, consolidando o seu percurso artístico.
Reconhecido globalmente, Vhils continua a explorar novas formas de arte pública, transformando superfícies urbanas em narrativas visuais que revelam a memória escondida das cidades.

